antónio paiva

escritor e poeta antónio paiva

Archive for Outubro 2010

estado d’sítio

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o governo não governa, a oposição manda bocas, a comunicação social lavra gordas parangonas, os politólogos e comentadeiros facturam à brava, os subsidio-dependentes protestam pelos cortes e, os que trabalham a sério estão cada vez mais trabalhados a sério – é um autêntico estado d’sítio.

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Written by antónio paiva

Outubro 29, 2010 at 2:08 pm

outrora; o mar cheirava a maresia

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outrora; Vasco da Gama e seus pares fizeram uso de caravelas para irem em busca de ouro e especiarias. hoje; estes sacanas afundam-nos com submarinos, levam-nos os anéis e os dedos, porque o ouro há muito que sumiu. outrora; o mar cheirava a maresia, hoje cheira a gatunagem.

Written by antónio paiva

Outubro 17, 2010 at 2:01 pm

seriamente e a sério

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há ladrões que o são seriamente e a sério, tão seriamente e a sério, que nem – a justiça? – ousa colocar em causa a sua honestidade. é neste terno e doce humanismo; que os que são honestos seriamente e a sério, empobrecem seriamente todos os dias e a sério.

 

Written by antónio paiva

Outubro 13, 2010 at 9:38 pm

Publicado em crítica, sátira

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intertextualidade sentida

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Serra dos meus encantos/e dos meus progenitores,/que faz largar os prantos/de alegrias e dissabores.” António M.R. Martins, in Foz Sentida, pág. 21. 

vivemos como árvores apertadas na concavidade do rancor; somos pálpebras longínquas cerradas sem horizontes. não sabemos as palavras simples; subvertemos o respirar de cada uma delas. não sobe à serra quem vai para o deserto; não se aquece à fogueira quem é substância volátil. ah poetas do efémero!, que dissipais o escrito, sois ruptura fluxo e falha, sem nada a dizer no entanto, viveis no arco da pergunta e tendes como resposta o pranto.

o encanto é célula matriz; língua palavra e grão de luz, vogal a subir a serra pela encosta do silêncio progenitor. esplendor, rosto sereno, amplitude imensa; o júbilo tranquilo da alegria. libertai por isso os vossos sentidos; respirai o tempo e o saber. aprender é como uma luz que irriga o homem; qual mão suave e firme. quando somos verdadeiramente sérios naquilo a que nos entregamos; “nada é necessário nada é suficiente.”*

*António Ramos Rosa in Gravitações

Written by antónio paiva

Outubro 1, 2010 at 11:19 pm

Publicado em prosa, reflexão

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