antónio paiva

escritor e poeta antónio paiva

Archive for the ‘crítica’ Category

aos e às do costume

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há uma cambada de apoucadores, profetas de uma moralidade requentada, filhos de uma solenidade catedral, queimando incenso e entoando glórias prenhas por estigmas da estupidez, uma autêntica moléstia de criaturinhas infectadas de larval flatulência cerebral. dizem-se poetas, operários, quiçá patetas revolucionários. mas não passam de nojentos salafrários, incubadores da bisbórria, parturientes e defensores da escrita medíocre, predestinados a difundir pela via anal, tal doença eivada de crucifixos manhosos, que nada têm a haver com deuses ou religião.

mas amam, amam muito, amam muito a bajulação!, são detentores de um amor carregadinho de mulas e dinossauros, e de uma fauna subterrânea que a ciência ainda não conseguiu identificar.

são estes e estas sacanas; que me desmoronam o peito, que me apedrejam a mente, que me sufocam a inteligência, que me violam a vergonha pelo método do estrago súbito. uns e outras, prometem-me amizade eterna, prometem-me o reconhecimento da minha coerência, mas; quando decido seguir o meu caminho – escarram-me – tratam-me como um leproso.

Written by antónio paiva

Dezembro 18, 2010 at 5:24 pm

sinónimos

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Cavaco Silva jantou com o presidente chinês no Palácio da Ajuda.

Sócrates almoçou com o presidente chinês no Palácio das Necessidades.


É mesmo isso que somos – um país a precisar de ajuda para as suas necessidades.

Written by antónio paiva

Novembro 7, 2010 at 10:21 pm

Publicado em crítica

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estado d’sítio

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o governo não governa, a oposição manda bocas, a comunicação social lavra gordas parangonas, os politólogos e comentadeiros facturam à brava, os subsidio-dependentes protestam pelos cortes e, os que trabalham a sério estão cada vez mais trabalhados a sério – é um autêntico estado d’sítio.

Written by antónio paiva

Outubro 29, 2010 at 2:08 pm

outrora; o mar cheirava a maresia

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outrora; Vasco da Gama e seus pares fizeram uso de caravelas para irem em busca de ouro e especiarias. hoje; estes sacanas afundam-nos com submarinos, levam-nos os anéis e os dedos, porque o ouro há muito que sumiu. outrora; o mar cheirava a maresia, hoje cheira a gatunagem.

Written by antónio paiva

Outubro 17, 2010 at 2:01 pm

seriamente e a sério

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há ladrões que o são seriamente e a sério, tão seriamente e a sério, que nem – a justiça? – ousa colocar em causa a sua honestidade. é neste terno e doce humanismo; que os que são honestos seriamente e a sério, empobrecem seriamente todos os dias e a sério.

 

Written by antónio paiva

Outubro 13, 2010 at 9:38 pm

Publicado em crítica, sátira

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o disparate estala como o ouriço da castanha

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cá estou eu de novo na cadeira dos alívios; sofrendo de intoxicação de arrotos provincianos. e, como a paciência não põe ovos, não tenho omeletas de condescendência. [se não me entendem comprem um burro]. e não me estendam olhares lassos, que me pegam essa conjuntivite de idiotice. vá lá; ofereçam-me um sorrisinho subentendido, nos intervalos das bofetadas. raios partam o enguiço testicular de um povo que lhe impede o gozo colossal; é quebranto!; é quebranto!; gritam as mulas e as suas crias. o disparate estala como ouriço de castanha; tornando impossível o contacto com o útero da nação.

Written by antónio paiva

Setembro 26, 2010 at 12:07 am

Publicado em crítica

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falta-me o sorriso de gioconda

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por não ser dotado do sorriso de gioconda,  sento-me na cadeira dos alívios, de olhos atentos no nada, evacuo de modo lento cansado e triste. distraio-me com a nudez mortal dos azulejos esverdeados que revestem as paredes. estou deprimido; remeto-me a estes monólogos escanzelados, pequenas manchas de textos marginais. grassa por aí uma pobreza que não é assumida, e não o é; por ser de matriz cultural. o “botas” bem que nos tramou; quando vociferou que: “o povo português devia ser pobre e humilde como a terra que trabalhava”. a verdade é que o povo português o levou a sério, tão a sério que a profecia do “botas” vigora como lei. maldito sejas ó “botas”!, devias ter caído da cadeira muito antes de nos teres amaldiçoado irremediavelmente!!!

Written by antónio paiva

Setembro 25, 2010 at 1:49 pm

Publicado em crítica, prosa

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